Arquivo - Fevereiro 2017

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Eunício deve ser eleito no Senado nesta quarta-feira
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Crise na folia
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Igreja católica envia carta a Temer com sugestão de nome para o STF
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Empresa que comprou avião de Eduardo Campos é sócia da Odebrecht PE

Eunício deve ser eleito no Senado nesta quarta-feira

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Num contraponto à tensa disputa ao comando da Câmara, o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), deve se eleger nesta quarta-feira, dia 1º, presidente da Casa pelos próximos dois anos. Aos 64 anos e senador de primeiro mandato, Eunício vinha costurando nas últimas semanas apoio de partidos da base aliada e da oposição, com a promessa de distribuição de cargos respeitando o tamanho das bancadas.

Empresário com a segunda maior fortuna declarada no Senado, R$ 99 milhões em 2014, o senador é defensor da agenda de reformas do presidente Michel Temer, de quem se diz “amigo” e “parceiro”.

Eunício, que também presidirá o Congresso e será o segundo na linha sucessória da Presidência, disse à reportagem que o Poder Legislativo deve debater com profundidade a reforma da Previdência e eventualmente rever a possibilidade, contida no texto, de que a aposentadoria integral só ocorrerá com 49 anos de contribuição. “Nada que entra aqui tem a obrigação de sair do jeito que chegou”, afirmou. Mas dá sinais de que trabalhará, se necessário, para garantir o calendário do governo de aprovar a reforma nas duas Casas Legislativas ainda no primeiro semestre. “Discussão rápida não quer dizer não discussão, não debate e não modificação (no texto).”

O peemedebista tem dito que, a despeito da pauta de Temer, vai defender uma agenda de desburocratização do País e que ajude a criara um ambiente propício para os negócios. Para ele, esse debate não pode ser exclusivo do Executivo.

Mesmo como cotado para suceder Renan Calheiros (PMDB-AL) desde a recondução dele, em fevereiro de 2015, Eunício só teve sua candidatura confirmada por aclamação da bancada do PMDB nesta terça-feira, em encontro na residência oficial do Senado.

Diferentemente do antecessor, que se envolveu em uma série de conflitos com o Judiciário, o peemedebista tem pregado o diálogo entre os Poderes e disse que pretende se reunir em breve com a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia.

Lava Jato

O senador afirmou não ter “nenhuma preocupação” com a homologação da delação dos 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht. Ele foi citado pelo executivo Cláudio Mello Filho como recebedor de R$ 2,1 milhões em recursos para facilitar a aprovação de uma medida provisória de interesse da empreiteira. O peemedebista rechaça a acusação e até tirou um “nada consta” do Supremo para dizer que não é alvo de investigação. “(Não tenho) nenhuma (preocupação), sei o que fiz e sei o que não fiz, tenho absoluta convicção e quem acompanha o meu trabalho sabe o que fiz nesses 20 anos.”

Para Eunício, não há “absolutamente nenhum” constrangimento com a atual situação por que passa. Na reta final da campanha, contudo, um colega de bancada, Roberto Requião (PMDB-PR), passou a defender a divulgação do conteúdo das delações, medida que poderia prejudicar o correligionário, e tentava costurar no dia anterior à eleição, com o apoio do PT e do PCdoB, uma candidatura “alternativa” no PMDB, partido que tem a prerrogativa de indicar o candidato. Até a conclusão desta reportagem, não estava certo se Requião iria se lançar à disputa.

Crítico da falta de debate – até o momento o favorito não divulgou uma “plataforma de governo” -, Requião ao menos conseguiu a promessa de Eunício de encampar, caso eleito, sua pauta de reivindicações, entre elas uma maior participação dos senadores na distribuição de relatorias de projetos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

@lingua

 

Crise na folia

Crise na folia

FAXINA NO ORÇAMENTO Varrição no Sambódromo do Rio: escolas terão de se virar com pouco

Nada de confete e serpentina. O carnaval deste ano foi cancelado por falta de verba em pelo menos 70 cidades brasileiras. O número equivale ao de municípios que já decretaram estado de calamidade financeira: 73, segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN). O corte envolve desde grandes capitais até cidades pequenas, algumas com forte tradição na folia. É o caso da histórica São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, cujo carnaval de rua, animado por marchinas, costuma atrair milhares de jovens a cada ano. Lá, a prefeita Ana Lúcia Bilard Sicherle (PSDB) resumiu a situação em uma frase: “Não há recurso nem orçamento.” Em Minas Gerais, os cofres vazios também tiraram a alegria dos foliões. Em nota, a Prefeitura de Nova Lima explicou que passa por “grave crise econômica”, mesmo caso de Poços de Caldas, Ouro Branco e Patos de Minas.

O presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Isaac Edington, recebeu a missão da prefeitura de cortar 10% dos custos totais do carnaval da capital baiana, um dos maiores do País, “sem prejudicar a qualidade.” O jeito foi “negociar com os fornecedores, congelar cachês, renegociar contratos.”

As Escolas de Samba do Rio também cortaram. A Mocidade Independente de Padre Miguel e a União da Ilha acabaram com seus ensaios-show. “Entendo a forte crise financeira que assola o país. Não posso mais conviver com esse tipo de situação: abrir a quadra, o que não é barato, e não vê-la cheia”, disse o presidente da União da Ilha, Ney Filardi. “Apesar da recessão, será um dos mais belos carnavais graças à criatividade”, afirma Jorge Castanheiras, presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). Segundo dados da entidade, a captação de recursos das escolas caiu 40% na comparação com 2015.

“NA RAÇA”

A crise também está impedindo muitos blocos de ir para a rua. Apenas no Rio de Janeiro, 55 deles deixarão de sair este ano por falta de patrocínio. “Se o apoio já era difícil para agremiações com menos visibilidade, agora ficou impossível: a crise virou desculpa para dizerem que não podem, não têm. Mas carnaval para nós não é negócio, é alegria. Isso não mudará”, diz Rita Fernandes, presidente da Sebastiana, a associação de blocos cariocas.

“Não posso mais conviver com esse tipo de situação: abrir a quadra, o que não é barato, e não vê-la cheia” Nei Filardi, presidente da União da Ihha
“Não posso mais conviver com esse tipo de situação: abrir a quadra, o que não é barato, e não vê-la cheia” Nei Filardi, presidente da União da Ihha

A boa notícia vem de fora: os turistas estrangeiros não estão nem aí para a crise e já reservaram boa parte dos cerca de 60% dos quartos da rede hoteleira da cidade, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio (ABIH-RJ). Com isso, pelo menos uma parte da ocupação do Sambódromo também está garantida. Segundo Castanheiras, da Liesa, 80% dos camarotes cariocas já foram negociados. Há ingressos por R$ 1,8 mil, no estreante Número Um, e R$ 5,2 mil, no superespaço Rio Samba. Animada, a holandesa Priscilla Nieuwbuurt já prepara as malas para o Rio. “A crise no Brasil não afeta a nossa economia. Pelo contrário, barateia a viagem”, diz ela. O finlandês Joel Jarlas, que também já alugou um apartamento com amigos, é sincero: “Nunca cheguei nem a pensar na crise econômica.” Eles estão dentro do cálculo da Riotur para este ano: 1,1 milhão de turistas deverão injetar cerca de R$ 3 bilhões na economia. Para o carnavalesco Milton Cunha, embora este seja “o carnaval da crise”, a compensação virá “na raça.”

UM MOMO MAIS MAGRO

Algumas das cerca de 70 cidades que cancelaram o Carnaval:

SP: Campinas, Piracicaba,São Luiz do Paraitinga e São José dos Campos

MG: Poços de Caldas,Ouro Branco, NovaLima e Patos de Minas

RS: Passo Fundo RO: Ariquemes

AP: Macapá

Mudanças nos dois carnavais mais famosos do País:

Rio de Janeiro
Cerca de 55 blocos, de 451 confirmados, não sairão às ruas por falta de patrocínio. Entre eles, o Bloco da Segunda, que completaria 30 anos neste ano

Salvador
Os gastos públicos, em torno de R$ 50 milhões, serão cortados em 10%. Entre os blocos que cancelaram a festa está o Cheiro de Amor, fundado em 1985. Muitos reduziram a participação, como o Cocobambu, que sairá apenas em um dia em vez de três

Alternativas de foliões e organizadores para fugir da crise este ano:

• Aceitar milhas em troca de abadás
• Parcelar ingressos para camarotes em até 10 prestações
• Arrecadar dinheiro por meio de vendas de camisetas, feijoadas, chapéus, lenços, salgados, leques e cervejas
• Promover crowdfundings
• Usar fantasias recicladas
• Cortar extras, como carro-pipa para refrescar calor dos foliões, decoração de carro de som e seguranças

Por Eliane Lobato-Istoé

Igreja católica envia carta a Temer com sugestão de nome para o STF

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já tem um nome de sua preferência para o lugar do ministro Teori Zavancki, no Supremo Tribunal Federal (STF): Ives Gandra Martins Filho.

O presidente da CNBB, o cardeal Sergio da Rocha, chegou a enviar uma carta para o presidente Michel Temer recomendando a indicação.

De acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, os arcebispos de São Paulo, dom Odilo Scherer, e do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, também manifestaram apoio ao jurista.

Para o cardeal Sergio da Rocha, Gandra Filho é “um referencial seguro para a interpretação e a aplicação da Constituição, assegurando os direitos fundamentais da pessoa humana”.

Ives Gandra Martins Filho é presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e foi alvo de polêmica, nas últimas semanas, por causa de frases polêmicas, de sua autoria, em um artigo que faz parte do livro “Tratado de Direito Constitucional” (2012).

Entre elas está a de que “a mulher deve obedecer e ser submissa ao marido”.

O jurista, no entanto, rebateu as informações. “Diante de notícias veiculadas pela imprensa, descontextualizando quatro parágrafos de obra jurídica de minha lavra, venho esclarecer não ter postura nem homofóbica, nem machista”, diz nota assinada por ele.

@lingua

Empresa que comprou avião de Eduardo Campos é sócia da Odebrecht PE

A Lidermac, empresa que está sendo investigada pela Polícia Federal como possível compradora do avião para Eduardo Campos usar na campanha presidencial e que o levou à morte, em 2014, é sócia na Odebrecht em um contrato dado pelo próprio ex-governador de Pernambuco.

A empresa pertence à família Carneiro Leão, integrada, entre outros, por Rodrigo Leicht Carneiro Leão, genro do ministro do Tribunal de Contas da União José Múcio. Múcio e Ana Arraes, mãe de Campos, votaram pela rejeição das contas de Dilma.

Ela dividiu com a Foz do Brasil, empresa da Odebrecht Ambiental, em 2013, um contrato com a empresa de saneamento de Pernambuco, a Compesa, de R$ 4,5 bilhões – R$ 5,85 bi, hoje, corrigidos pelo IGP-M.

Por este contrato, as duas empresas – embora na prática fosse a Odebrecht quem tocasse o projeto – ficaria com a concessão para explorar por 35 anos, tendo vencido um consórcio entre a OAS e a espanhola Águas de Barcelona, para explorar o esgoto sanitário de Recife e do município de Goiana.

Não se pode dizer que o contrato não esteja sendo executado: o esgoto de Pernambuco será realmente tratado.

Na Justiça.

Diz a imprensa local que a Odebrecht “dedou” que o esquema pagou o avião de Campos.

Que se espatifou tal e qual a “nova política”.

Brasil 247