Arquivo - Setembro 2016

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31 de agosto! Um golpe para história
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Só peço compreensão! Disse Temer em discurso

31 de agosto! Um golpe para história









Um golpe para a história! Essa é a expressão que resume o que o Brasil assistiu neste triste dia 31 de agosto. Um golpe para a história!
A retirada do mandato da presidente de Dilma Rousseff entra para a história do Brasil como um golpe. Golpe que foi orquestrado pelos setores mais conservadores do país, em uma aliança entre os grandes grupos econômicos, partidos de direita, políticos envolvidos em corrupção e seguimentos da grande mídia nacional.
Não basta dizer que o impeachment é uma ferramenta constitucional, é preciso explicar que essa ferramenta foi usada para fins meramente políticos, e não para moralizar o Brasil. Se fosse assim ela teria os seus direitos cassados, o que não ocorreu. A decisão de hoje joga uma pá de terra no mais importante direito de um cidadão, que é o voto. Nesse caso, foram 54 milhões de brasileiros que votaram em um projeto de governo. Dez milhões de pessoas nas ruas não podem ser mais importantes do que o voto de 54 milhões.
É verdade que o governo Dilma cometeu inúmeros erros, bem como o de Lula, a começar pela aliança com setores que agora os traíram. Mas é verdade também que as camadas mais baixas tiveram uma ascensão popular até então nunca vista. Também é preciso ressaltar que os casos de corrupção envolvendo o PT são inaceitáveis, principalmente vindos de um partido que pregava a ética na política. Entretanto é preciso dizer que o PMDB de Michel Temer, PSDB de Aécio Neves e PSB de Paulo Câmara também estão melados com a lama da corrupção.
Dizer que o STF legitimou o impeachment é um equívoco sem precedente, pois o STF não possui legitimidade constitucional para julgar um Presidente da República. O que o STF fez foi apenas legitimar o rito, já que cabia ao parlamento a competência de admitir e julgar o processo. O papel do STF nesse caso será o de analisar se o mérito do processo é procedente, ou seja, confirmar se as pedalas fiscais e os decretos assinados sem autorização do congresso são de fato crimes de responsabilidade, já que essa matéria é até então sem tipificação. Caso o STF absolva Dilma, teremos a confirmação de que houve um golpe.
O pior de tudo é ver um presidente assumir sem um mandato popular, sem que a população tenha respaldado o seu plano de governo. Um presidente fraco, covarde, usurpador, traidor e golpista. Um presidente que não é conhecido pelo povo e que vive a sombra da beleza da esposa e da ingenuidade do filho.
É lamentável ver que o voto no dia de hoje perdeu o seu valor. Quer os interesses econômicos e políticos se sobreponham aos interesses sociais. Que as políticas públicas voltadas para educação, moradia, distribuição de renda, de inclusão social e de gênero sejam deixadas em um plano inferior.
O dia de hoje passará para a história como um golpe! Um golpe que delimitará quem é quem nesse país. Um golpe pautará as próximas eleições e os embates sociais. Infelizmente o golpe dividiu e não uniu o país, mas ainda assim é preciso acreditar que o futuro nos pertence e que certamente iremos nos reencontrar com o que é de fato um Brasil justo e democrático.
Paulo César Gomes, Professor, Historiador e Pesquisador serra-talhadense.

Só peço compreensão! Disse Temer em discurso


O presidente Michel Temer disse no início da noite desta quarta-feira, durante reunião ministerial, que quer ter a compreensão da sociedade brasileira em relação à necessidade de reformas, como a previdenciária e a trabalhista.
“Pedi que haja uma campanha de publicidade sobre necessidade da reforma da Previdência, essas coisas têm que ser divulgadas, esclarecendo à população. Não queremos fazer coisa de cima para baixo, queremos que haja compreensão da sociedade brasileira”, disse, ressaltando que acredita que agora “já há condições para essa compreensão.”
O presidente afirmou ainda que, no caso da reforma trabalhista, a ideia é falar da readequação e da modernização da relação entre empregado e empregador, para garantir e gerar empregos.
Temer fez um apelo aos seus ministros para que conversem com parlamentares, já que todos representam vários partidos, e mostrem a necessidade de aprovar matérias e reformas que o seu governo está propondo. Segundo Temer, agora o governo é composto de uma “coletividade partidária”. “Não é um partido que está no poder e despreza os demais, pelo contrário, é um partido que está no poder e que preza pelos outros”, afirmou.
Sem citar a ex-presidente Dilma Rousseff, Temer afirmou que o que mais se dizia no passado “e era desagradável” é que os partidos não participavam da formulação das políticas. “Não quero que aconteça no nosso governo”, afirmou.
Ao destacar que quer uma “conexão permanente” entre Executivo e Legislativo, Temer rechaçou, segundo ele, a “tese” de alguns veículos de imprensa, de que o governo recuou em algumas propostas e disse que jamais vai “abandonar a tese que temos que dialogar” insistentemente. “Há algumas coisas que não podemos abrir mão. Temos que insistir junto às bancadas, e eu farei pessoalmente, para que possamos da aprovação dessas matérias.”
O presidente destacou que o governo tem tido “apoio extraordinário” do Congresso e citou a aprovação de medidas provisórias nesta terça-feira e também o fim da votação do projeto de Lei Complementar 257/2015, que trata da renegociação da dívida dos Estados.
Temer disse ainda que a PEC do teto dos gastos é fundamental para o País, mas, às vezes, é uma matéria “mal compreendida”. “Vamos reunir as bancadas uma a uma, eu próprio comparecerei com técnicos para que possamos sensibilizar (da importância da matéria)”.
Temer pediu aos ministros que “cada um cuide com afinco com a sua área” e afirmou que não há nenhum impedimento que os ministros se manifestem. “Pelo contrário, quando os senhores se manifestam sempre é para prestigiar o governo”, disse, ressaltando que pedia “a gentileza” de os ministros enfatizarem em suas manifestações que não há medidas isoladas e que eles falam em nome do governo. “O ministro não tomou medidas por conta própria, mas em função do governo”, completou.