Julio Lossio lança o movimento #PernambucoPodemais

Em sua página oficial no Facebook, o ex-prefeito de Petrolina, Julio Lossio, que esteve longe da mídia, reaparece com uma novidade que despertou muita curiosidade na cidade e no Estado.O movimento #PernambucoPodemais. No vídeo direcionado aos pernambucanos, o ex-prefeito detalhou seu objetivo com o movimento e ainda convocou a população a participar do movimento para engrandecimento do Estado.

Em suas palavras, o ex-prefeito foi incisivo e disse: “Quero convidar você a fazer parte de um movimento que estamos construindo juntos, o #PernambucoPodeMais. Um movimento de todos nós, que tem como principal objetivo discutir e debater ideias sobre o cenário político atual do nosso estado. Venha participar conosco e fazer de Pernambuco um estado cada vez melhor”, concluiu.

Será que o ex-prefeito vem com força e será candidato?Mas será a que cargo? Vamos esperar. Enquanto isso, confira o vídeo.

Movimento Pernambuco Pode Mais

Quero convidar você a fazer parte de um movimento que estamos construindo juntos, o #PernambucoPodeMais. Um movimento de todos nós, que tem como principal objetivo discutir e debater ideias sobre o cenário político atual do nosso estado. Venha participar conosco e fazer de Pernambuco um estado cada vez melhor.

Posted by Julio Lóssio on Saturday, November 18, 2017

Por Cauby Fernandes

Video do Facebook Oficial de Julio Lossio

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Por que 60% dos eleitores de Bolsonaro são jovens?

Jair Bolsonaro

Image captionO deputado Jair Bolsonaro ocupa o segundo lugar em pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais (Foto: Câmara dos Deputados)

O estudante de administração Gabriel Araújo conheceu o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) em um meme no Facebook. Era final de 2013, e o jovem da Baixada Fluminense, hoje com 22 anos, estava desencantado com a política e com o país. Não acreditava em mais ninguém. Foi depois do meme que nasceu sua admiração ao hoje pré-candidato à Presidência da República.

O parlamentar conservador aparece em segundo lugar em pesquisas recentes de intenções de voto. Segundo o Datafolha, 16% dos eleitores votariam nele. À sua frente está o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 36%, e atrás, Marina Silva (Rede), com 14%.

Neste cenário, um detalhe tem chamado a atenção de analistas e cientistas sociais: 60% dos eleitores de Bolsonaro têm entre 16 e 34 anos. Desses, 30% têm menos de 24 anos. O percentual é significativo quando comparado com a atração ao público jovem de seus principais concorrentes: 45% dos que disseram votar em Lula têm menos de 34 anos. Entre os que preferiram Marina, 49% estão nessa faixa etária.

Por que parte da juventude apoia de maneira apaixonada um ex-militar cuja atuação em seus 26 anos de Congresso (sete mandatos) vinha tendo pouco brilho?

Um consenso entre pesquisadores ouvidos pela BBC Brasil é de que Bolsonaro é um dos principais atores políticos nas redes sociais – e que parte de sua força entre jovens pode derivar desse fato. Gabriel, por exemplo, viu o meme, pesquisou vídeos do deputado no YouTube e passou a acompanhar diariamente sua página no Facebook – o perfil do político tem 4,7 milhões de seguidores.

Entre seus adversários na corrida presidencial, Lula tem 3 milhões, João Doria, 2,9 milhões. Marina tem 2,3 milhões.

Neste mês, um levantamento do Ibope mostrou que os eleitores brasileiros com acesso frequente à internet representam 68% do total de eleitores. Entre os que expressam preferência por Bolsonaro, no entanto, a situação é bastante diferente. “Nossa pesquisa mostrou que 90% dos eleitores de Bolsonaro têm acesso à rede”, diz Márcia Cavallari, diretora do Ibope.

“Bolsonaro sabe muito bem utilizar as redes sociais, conhece a linguagem que viraliza, usa frases curtas de efeito apelativo, cria polêmica, fala o que pensa. Ele é um performer”, diz Esther Solano, doutora em ciências políticas e professora da Universidade Federal de São Paulo.

O universitário Gabriel Araújo
Image captionO universitário Gabriel Araújo, de 22 anos, conheceu Jair Bolsonaro em memes nas redes sociais (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Moysés Pinto Neto, professor de filosofia da Universidade Luterana do Brasil, Bolsonaro criou um personagem midiático que joga com a incerteza sobre o tom do que diz. “Em um vídeo (gravado em 1999), ele disse que mataria pelo menos 30 mil pessoas no Brasil. Ele está falando sério ou não? Não dá pra saber”, diz o acadêmico, que vem pesquisando como movimentos sociais de direita atuam nas redes sociais.

Este tipo de discurso foi elogiado por três jovens eleitores do deputado em entrevista à BBC Brasil.

“Vi Bolsonaro pela primeira vez em 2014, em um vídeo no Facebook. Ele não fala nada para agradar o povo, ou para parecer politicamente correto”, diz a autônoma Jéssica Melo da Silva, de 19 anos, moradora de Belém. “Ele fala o que pensa, e isso incomoda as pessoas”, diz Gabriel, que mora em Mesquita, na Baixada Fluminense.

Mas soltar o verbo também deixou o político conservador em apuros. Em outubro, ele foi condenado pela Justiça a pagar R$ 50 mil de indenização por um comentário considerado preconceituoso sobre uma comunidade quilombola. Ele também é chamado de homofóbico e de misógino, por ter feito declarações com críticas a gays e piadas sobre as mulheres.

Os eleitores relativizam manifestações polêmicas do deputado: dizem que elas foram tiradas de contexto e que há perseguição por parte de movimentos de esquerda e de grupos feministas e LGBT. “Sou negro e não votaria em alguém racista”, diz Gabriel.

Outro eleitor, o estudante de engenharia civil João Pedro Vital, de 18 anos, também discorda da imagem de racista do parlamentar: “Alguém que é casado com uma mulata e tem um sogro com o nome de Paulo Negrão não é racista”, diz, em referência à família de Bolsonaro.

Bolsonaro com um ‘outsider’

Jéssica Melo da Silva
Image captionAssim como seu ídolo político, Jéssica Melo da Silva, de 18 anos, elogia o regime militar que comandou o país por 20 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo pesquisadores ouvidos pela BBC Brasil, o político conservador se apresenta como um “outsider”, ou seja, diz que não faz parte da política tradicional, cuja imagem é de corrupção. Ele se mostra contra o chamado “establishment”, as mais poderosas instituições e organizações políticas, midiáticas e econômicas do país. Temas como descriminalização do aborto e casamento LGBT seriam do interesse desse “establishment”, na visão dos conservadores.

Para o universitário Vital, de Salvador, o deputado se destaca por não ter nenhum escândalo de corrupção no currículo. “Ele tem moral, é ético e não está metido em corrupção”, diz.

Bolsonaro começou a ganhar simpatizantes depois dos protestos de junho de 2013, quando milhões de jovens tomaram as ruas para, primeiro, protestar contra o aumento das tarifas de transporte e, depois, contra governos e políticos.

As manifestações surgiram com o Movimento Passe Livre (MPL), grupo de esquerda que, apesar de não gritar contra partidos, dizia-se apartidário. Em seguida, os protestos foram “cooptados” por manifestantes de direita, que chegaram a proibir bandeiras de partidos.

Multidão espera por Bolsonaro
Image captionEm evento em Belém em outubro, Bolsonaro foi recebido por milhares de jovens | Foto: Leandro Machado/BBC Brasil

“Eram protestos essencialmente para mostrar um descontentamento com governos progressistas de esquerda, que não conseguiram implementar reformas estruturais e que acabaram se alinhando justamente ao sistema econômico que antes criticava”, explica Moysés.

Mauro Paulino, diretor do instituto Datafolha, concorda que o movimento “antipolítico” começou a mostrar as caras naquele ano. “Em 2013, as manifestações já tinham um caráter de negação de qualquer bandeira política”, diz.

Em um contexto de mais de uma década de governos federais petistas – que coincidiu com a infância e a adolescência de muitos dos que hoje se assumem eleitores de Bolsonaro -, a esquerda pode ter sido encarada pelos eleitores em formação como a força política a ser contestada.

“É uma característica do jovem ser do contra, buscar a mudança, as transformações sociais. Ele é mais receptivo aos discursos radicais, à esquerda e à direita”, diz o cientista político Hilton Cesario Fernandes, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp).

Para Danilo Cersosimo, diretor do instituto de pesquisas Ipsos, o fenômeno de Bolsonaro como bandeira contestadora se expressa principalmente na juventude da classe média urbana. “É um movimento de um jovem escolarizado que não conseguiu ver as suas aspirações atendidas”, afirma o analista. “Ele pode estar desempregado, ou tem um emprego ruim, tem medo da violência e da crise econômica. Então ele culpa o governo por não conseguir cumprir suas ambições. E quem estava no governo? O PT e a chamada esquerda.”

Para o professor Moysés Pinto Neto, a esquerda não conseguiu se aproveitar do descontentamento mostrado nos protestos para engrossar suas fileiras. “O que aconteceu foi o inverso. A direita, que sempre foi o establishment, começou a se mostrar como crítica ao sistema, como se estivesse fora dele e fosse a solução para os problemas. Nos Estados Unidos, isso levou à eleição de Donald Trump”, explica Pinto Neto.

Recepção a Bolsonaro no aerporto de Belém
Image captionEm outubro, milhares de jovens receberam Bolsonaro no aeroporto de Belém, onde ele participou de eventos com fãs

Paulino afirma ainda que há uma “crise de representação” da população brasileira em relação aos políticos. É o tipo de ambiente favorável ao surgimento de “salvadores da pátria”. “Esse vácuo permitiu que figuras como Bolsonaro surgissem. Quando a política não resolve, ideias simples para problemas complexos parecem a melhor solução, apesar de, na prática, elas nem sempre funcionarem”, diz.

Com o slogan de “gestor” e “trabalhador”, o empresário João Doria também aproveitou esse sentimento antipolítico para vencer as eleições de 2016 e se tornar prefeito de São Paulo – ele é pré-candidato do PSDB à Presidência. O tucano também é bastante popular nas redes sociais, publicando vídeos de suas ações e críticas a adversários.

A queda do PT

No meio acadêmico, uma das análises para a ascensão da direita é a de que, do outro lado do espectro político, a esquerda partidária não ofereceu nenhum novo nome com alcance parecido ao de Bolsonaro. O principal expoente ainda é Lula.

Com os escândalos de corrupção, o impeachment de Dilma Rousseff, a condenação do ex-presidente por corrupção passiva e o desgaste acumulado pelo PT, a maior parte dos militantes da esquerda se viu “órfã” de nomes promissores, segundo análise de cientistas sociais.

Nessa perspectiva, a esquerda sobrevive em grupos sociais que não têm relação direta com partidos, como o movimento negro, o feminismo, o LGBT e os secundaristas.

Paulino diz que jovens pobres, moradores de bairros de periferia, ainda preferem Lula por terem “medo de perder direitos”.

Gabriel se classifica como “classe baixa”, mas afirma não votar no petista “de jeito nenhum”. Bolsista do Prouni, programa de bolsas em universidades particulares criado por Lula, ele diz que não há contradição entre sua condição econômica e o apoio a um candidato da direita. “Pobre quer crescer economicamente, melhorar de vida. A direita prega o crescimento econômico e liberdades individuais, a esquerda quer controlar sua vida”, afirma.

Lula em reunião da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Paulo, no início de setembro
Image captionO ex-presidente Lula aparece nas pesquisas como primeiro em intenções de voto (Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)

A violência no Brasil e a ditadura militar

Outro motivo que levou Gabriel a apoiar Jair Bolsonaro é a forma como o deputado encara a violência – ele propõe, por exemplo, extinguir o estatuto do desarmamento como maneira de a população se defender de bandidos.

“Precisa haver o armamento civil. O (estatuto do) desarmamento foi uma farsa, a violência só piorou, porque o cidadão de bem ficou indefeso. O bandido continua com as armas”, diz Gabriel.

Jéssica Melo, de 18 anos, cita o apoio de Bolsonaro ao regime militar que comandou o Brasil entre 1964 e 1985. “As pessoas dizem que era um tempo bom, que você podia ficar na frente de casa sem ser assaltado. As escolas eram tranquilas, hoje aluno bate em professor, as pessoas te roubam na sua casa”, diz.

Para Márcia Cavallari, do Ibope, jovens que não viveram o período da ditadura militar tendem a romantizá-lo. “O regime é uma coisa distante para elas, algo que não foi discutido a fundo. Com a corrupção e o medo da violência, os jovens procuram um discurso que promove a ordem, a lei e os bons costumes”, diz.

Já Paulino, do Datafolha, afirma que Bolsonaro se aproveita de um dos “maiores medos” da população, a violência, para alavancar seu apoio popular. “Principalmente entre a classe média, há um aumento do apoio à pena de morte e ao enfrentamento ao crime como forma de combater a violência. Essa é a principal bandeira dele”, explica.

Youtubers influentes

Além das páginas do próprio deputado, outros canais nas redes também ajudaram a direita a chegar a mais jovens. O Movimento Brasil Livre (MBL), por exemplo, é uma das páginas de maior influência no Facebook, com 2,5 milhões de seguidores. Apesar de não declararem oficialmente apoio a Bolsonaro, os militantes do MBL também costumam repassar as propostas do parlamentar, como maior rigidez no combate ao crime.

Outro “digital influencer” é o metaleiro e professor de guitarra Nando Moura, o mais popular youtuber da extrema-direita brasileira – ele tem 1,5 milhão de seguidores no site e 337 mil no Facebook. Há outros com perfil parecido, mas com alcance menor.

Jair BolsonaroDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionDeputado Jair Bolsonaro teria que aumentar sua influência para além da juventude se quiser vencer as eleições do próximo ano, segundo analistas

Nas produções de Moura, que chegam a ter um milhão de visualizações, ele comenta assuntos variados, como “ideologia de gênero”, desarmamento, arte moderna e história do Brasil e do Mundo – o viés é sempre de críticas à esquerda e apoio a Bolsonaro.

Para Moysés Pinto Neto, a direita foi “visionária” e “competente” ao usar o Facebook, YouTube e Twitter. “Há também uma estética do metaleiro youtuber, do gamer e do nerd de direita. Também usa-se a lógica do linchamento virtual, que a esquerda também já usou muito, para atacar a reputações dos seus inimigos públicos”, diz.

Em Belém, por exemplo, Jéssica Melo da Silva e outras 150 pessoas discutem diariamente propostas de Bolsonaro e ataques a adversários em um grupo de WhatsApp chamado “Direita Jovem Paraense”. Grupos parecidos são muito populares em outros Estados e tentam, cada vez mais, conseguir votos para o candidato.

‘Um candidato mais ao centro deve vencer’

Os diretores dos institutos Datafolha e Ipsos acreditam que, em 2018, Bolsonaro deve perder força porque, na campanha, ele terá menos tempo de propaganda na TV e no rádio do que seus adversários. “Apesar das redes sociais serem muito importantes, a televisão ainda tem um peso gigantesco. Bolsonaro está num partido pequeno, terá poucos segundos”, diz Paulino.

“A minha tese é de que provavelmente vá surgir um candidato mais ao centro, que consiga se equilibrar na polarização entre esquerda e direita”, concorda Cersosimo, do Ipsos.

Diretora do Ibope, Márcia Cavallari afirma que, apesar de ser difícil prever qual será o impacto da internet nas eleições – que tem sido difuso em eleições passadas – ele não será pequeno. “No Brasil, 102 milhões de pessoas têm acesso a esses canais. Em 2013, eram 78 milhões. As redes sociais vão ser muito mais importantes do que foram nas últimas eleições”, diz.

Pesquisa do Ibope deste ano apontou que 36% dos eleitores brasileiros acreditam que a internet terá “muita importância” na hora de decidir o voto. Para 35%, a TV e o rádio também terão influência.

Já o cientista político Hilton Cesario Fernandes, da Fespsp, argumenta que o apoio da juventude não será suficiente para a vitória da extrema-direita. “O discurso radical pega uma parcela da população específica, mas dificilmente convence a maior parte da população numa disputa majoritária, diz.

Por outro lado, Bolsonaro vem crescendo em levantamentos do Datafolha desde dezembro de 2015, quando tinha 5% das intenções de voto. No último, em outubro deste ano, estava com 16%.

Se depender de Jéssica Melo da Silva, 19, seu candidato conservador vai crescer ainda mais. “Faço campanha de graça para Bolsonaro”, diz ela, que gosta de andar com a camiseta do ídolo pelas ruas de Belém e compartilhar material sobre ele em suas páginas nas redes sociais.

Por Cauby Fernandes

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Vício em celular chega a consultórios e já preocupa médicos no Brasil

Equipe responsável por atendimentos e pacientes no Hospital das Clinicas

Desde a morte do pai, em 2013, *Mariana lutou contra a depressão e viu o quadro piorar ao mergulhar por horas a fio no Facebook. “Era como uma fuga, uma anestesia para esquecer problemas”. Significava também “procrastinar tarefas da casa e os estudos”. “Checava o celular o tempo inteiro. Estava viciada”.

Já na vida de *Luísa, 47 anos, o smartphone entrou como alternativa para relaxar à noite, após um longo dia de trabalho. Em poucos anos, virou o centro de conflitos com as filhas e o marido. “Reclamavam que eu tinha virado um zumbi, que fingia prestar atenção em conversas quando, na verdade, estava pensando em algo que li ou esperando mais uma curtida no Instagram. Era capaz de debater temas no Facebook, mas não conversava com minhas filhas”, disse Luísa à BBC Brasil.

A dependência tecnológica, que inclui o “uso abusivo” da internet, redes sociais, jogos e celulares, não é dimensionada no Brasil, mas já chega como problema a especialistas.

“Não existe nenhum órgão dizendo que há uma preocupação nacional sobre isso, mas diferentes segmentos observam que a tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes. Há aumento de queixas de pacientes nos hospitais universitários, nas clínicas de psicologia, de psiquiatria e em escolas”, diz o PHD em psicologia e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Nabuco de Abreu.

Segundo especialistas, não é o tempo de uso que define a dependência, mas a relação do usuário com a tecnologiaDireito de imagemGUI CHRIST
Image captionSegundo especialistas, não é o tempo de uso que define a dependência, mas a relação do usuário com a tecnologia

O Brasil tem 120 milhões de usuários de internet, o quarto maior volume do mundo, atrás de Estados Unidos, Índia e China, mostra relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Em 2016, o país foi considerado o segundo que mais usa o WhatsApp, em um levantamento do Mobile Ecosystem Forum (MEF). O primeiro lugar ficou com a África do Sul.

Embora não haja indicadores de quantos, em meio a esse batalhão, são considerados dependentes, estudos dão pistas sobre os riscos.

Uma pesquisa que a consultoria Deloitte divulgou em outubro sobre o uso de celular no dia a dia do brasileiro – com 2 mil entrevistados – mostra, por exemplo, que dois em cada três pais dizem acreditar que seus filhos usam demasiadamente o smartphone. Mais da metade dos que estão em um relacionamento veem excessos por parte dos parceiros e 33% admitem ficar online de madrugada para ver mídias sociais.

“Temos, comparativamente a outros países, uma quantidade de tempo de uso da tecnologia bastante expressiva e aumentando”, alerta Nabuco, também autor do livro Internet addiction in Children and Adolescents (em tradução livre: O vício em internet entre crianças e adolescentes).

Cristiano Nabuco de Abreu
Image captionCristiano Nabuco de Abreu, do Hospital das Clínicas da USP: “Tecnologia de forma excessiva começa a criar problemas recorrentes” | Foto: Gui Christ/BBC Brasil

A preocupação vai além, no entanto, do tempo gasto. Se concentra, principalmente, na relação do usuário com esse tipo de ferramenta, diz Eduardo Guedes, pesquisador e membro do Instituto Delete – primeiro núcleo do Brasil especializado em “desintoxicação digital” na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Essa relação, segundo ele, pode ser dividida em uso consciente, quando o virtual não atrapalha a vida real; uso abusivo, quando atividades online são priorizadas em detrimento das offline; e uso abusivo dependente, quando o virtual atrapalha o real e há perda de controle.

O Instituto pesquisa o impacto das tecnologias desde 2008 e já ofereceu atendimento gratuito a cerca de 500 pessoas, nem todas com dependência diagnosticada.

Frases como “desliga o computador e vai dormir”, “sai do Face e vai trabalhar”, “fecha o WhatsApp e come o jantar” e “larga o celular para não bater o carro” são usadas para chamar a atenção no site que divulga os serviços.

Redes sociaisDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionSensação de prazer gerada por hormônios quando o usuário está nas redes sociais atrai, mas também pode ser fator de risco

A sensação de prazer despertada nos usuários é uma das possíveis explicações para a dependência. “Falar de si gera um prazer equivalente a se alimentar, ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão falando de si nas redes sociais, com feedback instantâneo”, complementa Guedes. “Em uma conversa normal, em 30% do tempo normalmente se fala sobre si”.

Os dados são de uma pesquisa da Universidade de Harvard segundo a qual esse comportamento gera um mecanismo de recompensa no cérebro, graças à liberação de dopamina, além de endorfina, ocitocina e serotonina, hormônios ligados ao prazer.

Mas esse prazer é temporário, observa Guedes. “E vira problema quando passa a ser a fonte exclusiva de prazer, quando a pessoa passa a viver para postar a foto e deixa de aproveitar o momento”.

Gianna Testa, integrante da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que o “sistema de recompensa” do usuário é muito afetado por estímulos – ou pela ausência deles – criados pelo reconhecimento virtual nas redes sociais, como medida de aceitação e sucesso.

O efeito seria comparável ao da dependência de substâncias químicas no sistema nervoso central.

“Hoje é muito claro em adolescentes, por exemplo, o quanto a autoestima depende do número de curtidas, do sucesso que eles têm nas redes sociais”, observa a especialista, também sócia da ASEAT, uma assessoria de segurança e educação em alta tecnologia, de Brasília.

Internet e Tecnologia
Image captionSegundo especialistas, problema surge quando internet e tecnologias passam a ser as fontes principais ou exclusivas de prazer | Foto: Gui Christ/BBC Brasil

Segundo Guedes, um conjunto de cinco critérios são observados para avaliar se o uso da tecnologia deixou de ser saudável. O primeiro deles mede quão importante o celular se tornou para trazer a sensação de “refúgio de prazer ou segurança”. Quanto maior a importância da ferramenta, mais grave a condição do usuário.

“Uma pessoa que terminou um casamento, que está com baixa autoestima, por exemplo, muitas vezes posta uma foto e isso ajuda a melhorar. É um gatilho positivo. Mas, se ela só trabalha a autoestima por meio da rede, isso pode gerar isolamento, desprezo pelas relações na vida real e até depressão”, exemplifica. Em tímidos, o uso abusivo pode levar à fobia social.

Outro termômetro é a relevância da tecnologia no dia a dia. Ir ao banheiro ou para a cama, por exemplo, e levar o celular junto pode parecer inofensivo, mas, em alguns casos, indica distúrbio.

Tratamentos não têm como objetivo proibir a tecnologia
Image captionTratamentos não têm como objetivo proibir a tecnologia, mas estimular um uso mais moderado e o desenvolvimento de outras atividades | Foto: Gui Christ/BBC Brasil

Outros dois indicadores na avaliação do vício são se a pessoa tolera eventos ou ambientes em que terá de ficar desconectada e se, em caso de “abstinência” no uso do celular, a experiência se torna insuportável, com efeitos físicos e psicológicos sobre o indivíduo. Pacientes com o distúrbio relatam temor de ficarem distantes das redes e mau humor, mãos tremendo, ansiedade, agressividade e tristeza quando a falta da tecnologia se concretiza.

“Há também quem use tanto o celular que, quando está sem, ele precisa ter algo nas mãos, para ficar mexendo”, diz Guedes. Segundo ele, o efeito é semelhante ao vivido por ex-fumantes, que sentem a necessidade de movimentar uma caneta entre os dedos para simular os gestos que se acostumaram a fazer quando fumavam.

O quinto critério mede o quanto a dependência causa conflitos na vida real. É o caso, por exemplo, de filhos que reclamam a atenção dos pais dividida com a internet até que eles próprios começam a encontrar nas telas refúgio, gerando, em consequência, novos conflitos no ambiente familiar.

É algo que Luísa viveu e vive.

“Minhas filhas já não reclamam tanto de mim. Agora, eu é que reclamo delas. Mas isso quando não estamos todos mergulhados no celular, eu, meu marido e minhas duas filhas, cada um no seu mundo. Essa cena é comum na nossa casa, em restaurantes… Às vezes tento botar ordem na casa, pegar os celulares, mas não dura muito. Não tem atrapalhado estudos, carreiras, mas, sem dúvida, nossa vida familiar. Eu, por exemplo, frequentemente, deixo o celular embaixo do travesseiro e volto a ele assim que meu marido dorme. Sinto falta de ar, um certo nó na garganta quando estou longe do meu aparelho”, conta.

Dependência de jogosDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionDependência de jogos e não só de internet e celular preocupa especialistas. Usuários relatam prejuízos com o vício e sintomas de abstinência

Não são só os dependentes de celular que estão sujeitos a esses sintomas. “Muito estresse, falta de concentração e uma ansiedade terrível” pegavam em cheio o estudante Antônio*, de 25 anos, quando tentava se livrar sozinho da vontade descontrolada de jogar.

O jogo virou parte da sua vida quando tinha 4 anos de idade. Movido por um espírito de competitividade “muito grande”, acabava fisgado por computador, celular, videogame e o que mais permitisse entrar na disputa. Ficou dependente.

“Não almoçava, não estudava e preferia ficar em casa”, diz. Para Antônio, o problema ficou evidente apenas quando pessoas próximas passaram a observar que “a convivência estava difícil” e o assunto virou “motivo de estresse”. E também de separação. “Eu jogava escondido da minha esposa, tinha dificuldade de conversar e nosso relacionamento acabou terminando”. O casal chegou a fazer terapia e reatou. Há um ano, teve o primeiro filho. Ele está na terceira tentativa de parar.

“80% dos indivíduos que são dependentes de videogame, de internet, apresentam depressão”, diz Nabuco.

Segundo o especialista, um grupo de estudiosos defende que a dependência tecnológica seria um sintoma secundário em um indivíduo que já tem depressão, transtorno bipolar de humor e fobia social.

Outros acadêmicos argumentam que embora haja a coexistência de outro transtorno psiquiátrico, estamos lidando, certamente, com uma nova “classificação diagnóstica”. Seria possível, portanto, que a tecnologia cause e não apenas agrave um problema.

Crianças mexe em celularDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionEspecialistas apontam que crianças e adolescentes são mais suscetíveis a desenvolver dependência e alertam para a necessidade de controle

Jovens e crianças: público mais vulnerável

Jovens e crianças são mais vulneráveis, diz Cristiano Nabuco de Abreu, porque só atingem a maturação total do cérebro a partir dos 21 anos e, com isso, demoram mais a desenvolver funções como o “freio comportamental” – por meio do qual seria possível evitar situações de risco ou atos por impulso.

Uma das preocupações dos especialistas é o acesso precoce aos gadgets. “Muitos pais entregam o celular ou o tablet ao filho, usam os dispositivos como babá eletrônica, e acham bonito. Mas quanto mais precoce esse contato, mais chances de atraso no desenvolvimento da criança”.

O caso mais chocante que Nabuco atendeu foi o de uma mãe descrevendo que o filho não almoçava e não dormia, por exemplo, sem estar com o celular. “O problema maior era quando eles iam ao shopping, o menino largava a mão dela e corria para balconistas nas lojas para pedir colo e então acessar o teclado dos computadores que ali estavam. Sabe quantos anos ele tinha? 2 anos e 4 meses”.

A dependência mais comum entre os meninos é o uso de jogos eletrônicos. Nas meninas, principalmente adolescentes, a dependência de redes sociais é mais comum.

Gianna Testa, psiquiatra
Image captionGianna Testa, psiquiatra, destaca a necessidade de envolvimento da família para controle do tempo e definição de uma rotina mais saudável | Divulgação

Em São Paulo e no Rio de Janeiro há atendimento gratuito para a população, no Hospital das Clínicas da USP e no Instituto Delete.

“O grande objetivo não é fazer com que as pessoas se livrem da tecnologia. O que a gente quer é que elas retomem o controle desse uso”, diz Nabuco, do Hospital das Clínicas.

Oito em cada dez pacientes, segundo ele, chegam ao final do tratamento sem sintomas. Os demais, muitas vezes reiniciam a terapia.

O tratamento envolve reuniões em grupo para conversas com psicólogos e psiquiatras e, se for preciso, o uso de medicamentos para combater transtornos associados à dependência.

No Instituto Delete, o método usado envolve desde a identificação das raízes do problema até a adoção de técnicas de respiração e “ressensibilização”. “O foco não é proibir o uso, mas criar estratégias para a pessoa ter prazer em atividades na vida real”, complementa Eduardo Guedes.

Eduardo Guedes, do Instituto Delete
Image captionEduardo Guedes, do Instituto Delete: Foco não é proibir o uso, mas estimular uma relação mais saudável entre a tecnologia e a “vida real”

A busca por mais equilíbrio envolve tratamento e também uma consciência maior do problema. Mariana* iniciou terapia para “desintoxicar”. Faz sessões em grupo por uma hora e meia, uma vez por semana. “Considero que percorri uns 40% desse caminho, em um processo lento e com recaídas”, calcula.

Um pesquisador do tema disse à BBC Brasil ter sido procurado por operadoras de telefonia celular que estariam preocupadas com o uso abusivo dos aparelhos e em busca de possíveis soluções.

Procuradas pela BBC Brasil, Claro, Oi, Vivo e TIM – as principais operadoras de telefonia no país – não confirmaram se planejam medidas como enviar mensagens a clientes para alertar sobre possíveis riscos do uso abusivo, assim como ocorre na indústria de cigarros e bebidas. Por meio do SindiTelebrasil, sindicato que representa o setor, afirmaram, no entanto, que “sempre defenderam o uso consciente desses serviços, respeitando a liberdade de escolha, as necessidades, convicções, crenças e hábitos de cada indivíduo”.

O Ministério da Saúde informou que o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para todos os tipos de transtorno mental, incluindo depressão e vícios em álcool e outras drogas, mas que não tem dados específicos sobre os problemas ligados à tecnologia.

*Os nomes reais dos pacientes entrevistados foram trocados para proteger sua privacidade.

Por Cauby Fernandes

Com BBC Brasil em Londres

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Justiça garante vaga a candidato à Marinha barrado por ter tatuagem: outros editais violam decisão do STF

Tatuagem de lobo em braço de candidato

A Justiça Federal derrubou na quinta-feira (16) decisão da Marinha de desclassificar um candidato a fuzileiro naval por ter uma tatuagem.

João Pedro Gomes da Silva, de 20 anos, passou em todas as etapas do concurso de 2017, inclusive no exame médico. Mas, enquanto esperava a confirmação sobre a posse, recebeu a informação de que os examinadores tinham voltado atrás na avaliação- decidiram desqualificá-lo por ter um lobo tatuado no antebraço.

Na última terça, a BBC Brasil revelou que concursos públicos para a Marinha, bombeiros e polícias militares de mais de dez Estados continuam a barrar candidatos por terem tatuagem, contrariando decisão de 2016 do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo o STF, tatuagens não podem ser motivo para vetos em concursos, a não ser que contenham mensagens que violem valores constitucionais ou incitem à violência. E a decisão teve reconhecida a sua “repercussão geral”, ou seja, deve valer para todos os processos semelhantes em tramitação no país.

Silva recorreu da decisão no dia 3 de novembro, justamente citando a decisão do Supremo. O juiz João Carlos Mayer Soares, da 17ª Vara da Justiça Federal do DF, acolheu o argumento de que é discriminatório desqualificar um candidato só por ter tatuagem.

“Hoje em dia muita gente tem tatuagem. Esse não pode ser um critério de admissão, principalmente quando se trata de concurso público, quando o que está em jogo é meritocracia. Uma pessoa que passou em todas as provas não poderia ser vetada só por ter tatuagem”, disse à BBC Brasil a advogada Daniela Tamanini, autora da ação contra a desclassificação de Silva.

Militar com tatuagem no braçoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionApesar de Supremo impedir veto a tatuagens, Marinha, bombeiros e polícias militares de vários estados ainda restringem acesso de tatuados; Exército (foto acima) e FAB seguem orientação do tribunal (Foto Getty)

O que dizia o edital da Marinha?

O último edital para o curso de fuzileiros navais, publicado em fevereiro deste ano, vetava qualquer tatuagem que não ficasse oculta sob o uniforme de treinamento. Dois candidatos foram barrados por possuírem tatuagens visíveis, um deles era João Pedro Gomes da Silva.

Questionada no início da semana pela BBC Brasil se a decisão não estaria em desacordo com a posição do Supremo, a Marinha argumentou que tatuagens aparentes violam “os princípios constitucionais da hierarquia e disciplina” e que estes princípios são a “base institucional das Forças Armadas”.

O Exército e a Aeronáutica disseram que só vetam tatuagens ofensivas ou com mensagens que violem a legislação.

Tatuagens nos calcanharesDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionMesmo tatuagens discretas são proibidas pela Marinha, se forem visíveis quando o fuzileiro usar uniforme de treinamento

Polícias militares

Ter tatuagem também continua sendo fator impeditivo para integrar as polícias militares de diversos Estados, apesar da decisão do STF. Editais de 2016 e 2017 de cinco Estados – Acre, Goiás, Paraná, Amapá e Pará – fazem restrições a tatuagens visíveis.

Edital de 2 de março deste ano para soldado da PM do Acre, por exemplo, classifica como “condição incapacitante” a existência de “tatuagens em extensas áreas do corpo de forma que fiquem expostas ao público quando do uso de uniformes militares de qualquer modalidade”.

Mulher com braços e mãos tatuadasDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionTer tatuagem continua sendo fator impeditivo para integrar as polícias militares de cinco Estados – Acre, Goiás, Paraná, Amapá e Pará – apesar da decisão do Supremo

Em edital de julho de 2017, a PM do Amapá impede a admissão de candidatos que apresentem, “quando em uso dos diversos uniformes, tatuagem visível que, por seu significado, seja incompatível com o exercício da atividade militar”.

Já a PM de Goiás, em documento de setembro do ano passado, cita a existência de tatuagens, de forma genérica, no anexo que elenca “alterações incapacitantes e fatores de contraindicação para admissão”.

Para a PM do Paraná, em edital de 2017, a existência de tatuagem contraria a “estética militar”: “Será considerado inapto o candidato portador de tatuagem em áreas visíveis, que não esteja protegida pelo uniforme de treinamento físico (composto por camiseta meia manga, calção, meias curtas e calçado esportivo) e seja contrária à estética militar.”

trecho de edital da PM-PR
Image captionEdital para concurso da PM do Paraná diz que será considerado inapto o candidato ‘portador de tatuagem em áreas visíveis, que não esteja protegida pelo uniforme de treinamento físico (composto por camiseta meia manga, calção, meias curtas e calçado esportivo) e seja contrária à estética militar’

‘Moral’ e ‘bons costumes’

Outra restrição aparentemente comum nos editais lançados após a decisão do STF é a tatuagens que contrariem “a moral e os bons costumes”, ou que “remetam a atos libidinosos”.

A vedação aparece nos concursos para as polícias militares de seis Estados – Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Piauí, Maranhão e Ceará.

O edital de dezembro de 2016 para soldado da PM do RJ, por exemplo, tenta evitar tatuagens “atentatórias à moral e aos bons costumes”. O concurso para PM do Rio Grande do Sul barra as que “expressem ideias ou atos libidinosos”, enquanto a PM do Ceará fala em “decoro”.

Para o advogado Vicente de Paulo Massaro, autor da ação que resultou na decisão do STF de impedir vetos a tatuagens, restrições baseadas em “decoro” e moral abrem caminho para decisões subjetivas nos processos seletivos de candidatos.

“No concurso público, não pode haver cláusula de caráter subjetivo, que dependa da pessoa que está avaliando. Alguém pode avaliar a tatuagem de uma flor e interpretar que se parece com o órgão sexual feminino. O resultado do concurso não pode depender da opinião ou forma de interpretar de uma pessoa”, avalia.

Braço sendo tatuadoDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionOutra restrição aparentemente bem comum nos editais lançados após a decisão do Supremo é a de tatuagens que contrariam ‘moral’ ou que remetam a atos libidinosos

No julgamento do STF sobre tatuagens, o Ministério Público Federal defendeu que “moral e bons costumes” não podem ser usados para barrar candidatos.

“O fato de um candidato possuir, na pele, marca ou sinal gravado mediante processo de pigmentação definitivo não inviabiliza nem dificulta minimamente o desempenho de qualquer tipo de função, pública ou privada, manual ou intelectual, de modo a incidir, na hipótese, a vedação expressa no artigo 3º da Constituição Federal”, disse a Procuradoria-Geral da República.

“Pensar contrariamente seria o mesmo que admitir que uma mancha ou sinal geneticamente adquirido poderia impedir alguém de seguir a carreira militar. O que poderia ocorrer, em tese, seria a inadequação do candidato cuja tatuagem implicasse ofensa à lei e não aos ‘bons costumes’ ou à moral.”

Bombeiros

Editais de concursos para bombeiros também desafiam a decisão do STF, conforme o levantamento da BBC Brasil. Os editais para bombeiros do Paraná e da Paraíba proíbem tatuagens que contrariem a “estética” militar, sem definir quais seriam esses padrões.

O último concurso para bombeiro do Distrito Federal vedou tatuagens no rosto ou as que, de alguma forma, violem o “padrão de apresentação militar”.

De forma genérica, o edital dos bombeiros de Pernambuco menciona como fator de exclusão do concurso tatuagens que possam “comprometer ou prejudicar” o exercício da atividade de bombeiro.

Mão tatuadaDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionOs editais para bombeiros do Paraná e da Paraíba proíbem tatoos que contrariem a ‘estética’ militar, sem definir quais seriam esses padrões

O concurso deste ano do Piauí para o Corpo de Bombeiros veta qualquer tipo de tatuagem aparente.

Já no Rio Grande do Sul e no Rio Grande do Norte, além das restrições a tatuagens ofensivas, também são vetadas, em editais lançados em 2017, imagens que “atentem contra a moral” ou “aludam a ato libidinoso”.

No caso do concurso para bombeiro do Rio Grande do Norte, o texto deixa margem para veto até a tatuagens “discretas” e sem conteúdo ofensivo que apareçam com uso do uniforme.

Trecho do edital para bombeiro do Rio Grande do Norte
Image captionJá no Rio Grande do Sul e no Rio Grande do Norte, além das restrições a tatuagens ofensivas, editais lançados em 2017 também vetam imagens que “atentem contra a moral” ou “aludam a ato libidinoso”

O que pode fazer quem vai barrado por ter tatuagem?

Assim como fez o candidato a fuzileiro naval vetado por ter tatuagem, outros candidatos que se sentirem prejudicados podem entrar com ações na Justiça. Além disso, os editais que contradizem a decisão do STF podem vir a ser questionados pelo Ministério Público dos Estados onde o concurso ocorreu ou ocorrerá.

“Eu vejo que estão desafiando uma decisão da mais alta corte do país, que é o Supremo. Aquela decisão tem abrangência nacional. Eles não podem desrespeitar por motivo algum. Qualquer candidato que for barrado pode questionar isso, ele tem uma decisão que não pode voltar a ser julgada de forma diferente”, afirma Massaro.

É o que aconteceu recentemente no concurso para a Polícia Militar de São Paulo. Edital de novembro de 2016 vedava tatuagem que fosse “visível na hipótese do uso de uniforme que comporte camisa de manga curta e bermuda”.

O Ministério Público do Estado de São Paulo entrou, então, com uma ação na 10ª Vara de Fazenda Pública de SP questionando este trecho do edital. Com base na decisão do STF, a juíza Sabrina Martino Soares determinou que fosse anulada a cláusula do concurso que restringia tatuagens visíveis.

Existem restrições a tatuagens nas forças armadas no resto do mundo?

As regras sobre tatuagens em serviços policiais ou nas Forças Armadas variam em cada país.

A Marinha britânica, uma das mais tradicionais do mundo, flexibilizou, no ano passado, a regra para o recrutamento de candidatos tatuados: passou a permitir imagens gravadas atrás das orelhas, nos braços e até no pescoço.

O objetivo foi garantir a adesão de jovens ao corpo de fuzileiros. Pelas novas regras, são permitidas múltiplas tatuagens, inclusive de tamanho grande, nos antebraços, pulsos, joelhos e mãos, autorizando, assim, tatuagens visíveis nos uniformes de treinamento.

Desde março de 2016, a Marinha dos Estados Unidos também permite tatuagens visíveis. Os marinheiros podem ter uma tatuagem no pescoço e quantas quiserem nas pernas e braços.

Só são vetadas imagens “racistas, sexistas, extremistas, indecentes, preconceituosas ou que atentem contra a instituição”. Já as Forças Armadas de Portugal e Alemanha impõem restrições a tatuagens visíveis.

Por Cauby Fernandes

Com BBC Brasil

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Mensalidade escolar terá reajuste duas vezes maior que a inflação

Resultado de imagem para dinheiro em cima de cadernos escolares

O brasileiro já está acostumado: todo início de ano chegam as contas do IPVA e IPTU e, no caso dos pais, os reajustes de preços da matrícula e das mensalidades escolares.

As mensalidades nas escolas particulares deverão subir, em média, de 5% a 6% em 2018, de acordo com donos de colégios e especialistas consultados pelo R7.

Esse percentual representa o dobro da inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses, que é de 2,7%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O presidente da Fenep (Federação Nacional das Escolas Particulares), Ademar Pereira, explicou que “as escolas começam a fazer as contas do reajuste em setembro e têm o desafio de prever as despesas e a situação econômica com quase um ano e meio de antecedência”.

“É uma conta difícil. Por exemplo, em 2016, o reajuste médio das mensalidades ficou entre 7% e 8%, porém, o aumento do salário dos professores ficou fixado em 11,8%. O setor não esperava isso. A folha de pagamento é 50% das despesas. É um cenário complexo”, diz Pereira.

O especialista em gestão educacional Fernando Barão, da Corus Consultores, afirma que “o reajuste varia segundo a realidade de custos e de concorrência de cada escola”.

O setor engloba mais de 40 mil instituições, desde escolas de educação infantil a universidades, e possuem cerca de 16 milhões de alunos e 2,5 milhões de profissionais empregados.

O presidente da Fenep alerta que, em 2018, as escolas correm o risco de ter prejuízos por causa dos aumentos das tarifas de energia elétrica, telefone e impostos, que podem ficar acima do previsto. O crescimento da inadimplência dos pais também acendeu a luz amarela para setor.

“Há alguns anos, a inadimplência era de 7% e subiu para 13%. Pela lei, as escolas são obrigadas a cumprir o contrato até o final do ano mesmo sem receber. Ou seja, o gasto continua e a receita não entra”, detalha.

Pais pedem desconto

A técnica de nutrição Jacqueline Lins tem dois filhos. Raul, de 11 anos, é o mais velho e passou do sexto para o sétimo ano do ensino fundamental. O garoto está matriculado em uma escola particular da zona sul da capital paulista.

Jacqueline relata que o valor da mensalidade passou de R$ 878 para R$ 960 — uma alta de 9,34% — no início deste ano.

“O Raul estuda lá desde os 3 anos de idade. O ensino lá é de qualidade e a escola tem bastante disciplina. Mas não tem choro em relação ao valor. Se eu matricular a minha filha lá, terei um desconto de 10% na mensalidade dela e só”, diz Jacqueline.

Na comparação entre 2016 e 2017, as mensalidades escolares tiveram um reajuste médio entre 10% e 11%, também acima da inflação no período (6,28%).

Procon

O reajuste das mensalidades escolares são regulados por lei e a instituição é obrigada a explicar os motivos do reajuste. Nem todas as despesas da escola podem ser incorporadas aos boletos.

“Despesas administrativas com reforma, manutenção e ampliação de atividades pedagógicas podem ser repassados a mensalidade. Porém reformas para ampliação do número de vagas não podem ser repassadas porque a escola terá a contrapartida de novos alunos”, diz Fátima Lemos, assessora técnica do Procon-SP.

Para ajudar os pais na hora de encarar o reajuste das mensalidades, o Procon elaborou uma cartilha (clique aqui) com orientações sobre o que é permitido por lei. “A escola tem obrigação de apresentar detalhamento das despesas, valores que compõe o reajuste, e 45 dias antes do final do ano divulgar valor de mensalidade e anuidade”, diz.

Caso não cumpra as regras, a escola pode ser penalizada. “Se a escola apresentar um reajuste irregular, os pais devem questionar, de forma individual ou coletiva, a prática, buscar a via da negociação, podendo registrar reclamação em órgão de defesa do consumidor ou ação judicial, se necessário”, afirma.

Por Cauby Fernandes

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Em entrevista, FHC diz ter medo da direita e de Bolsonaro

Em entrevista, FHC diz ter medo da direita e de Bolsonaro

ex-presidente Luiz Fernando Cardoso afirmou nesta quinta-feira (16) que o Brasil corre risco de repetir a experiência da Itália pós- Operação Mãos Limpas e eleger um presidente de direita como Silvio Berlusconi na próxima eleição durante evento na Universidade Brown, nos Estados Unidos.

Sem mencionar diretamente o nome do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), ele relembrou uma entrevista antiga do parlamentar. “Eu não quero entrar em detalhes, mas há pessoas da direita que são pessoas perigosas”, afirmou.

“Um dos candidatos propôs me matar quando eu estava na Presidência. Na época, eu não prestei atenção. Mas hoje eu tenho medo, porque agora ele tem poder, ainda não, ele tem a possibilidade do poder”, disse o tucano, de acordo com informações do jornal Estado de S. Paulo.

Em 1999, durante entrevista à TV Bandeirantes, Bolsonaro afirmou que seria impossível mudar o país por meio do voto. “Você só vai mudar, infelizmente, quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro. E fazendo um trabalho que o regime militar não fez. Matando 30 mil, e começando por FHC”, comentou.

Para FHC, o candidato que vai se eleger em 2018 como presidente deve expressar uma mensagem condinzente com as vontades da população. “É arriscado. Essa pessoa está comprometida com a Constituição, com o respeito das leis, com os direitos humanos?”, ponderou.

Por Cauby Fernandes

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Por 39 votos a 19, Alerj anula prisão de Picciani e dois deputados

Por 39 votos a 19, Alerj anula prisão de Picciani e dois deputadosOs deputados estaduais do Rio de Janeiro determinaram, em sessão extraordinária realizada há pouco (17), a anulação das prisões dos colegas Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. A votação foi aberta e marcada por 39 votos favoráveis à revogação e 19 contrários.

“Não podemos nos vergar e deixar de cumprir o que a Constituição determina. Vamos ter desgaste eleitoral, não tenham dúvida, mas quero dormir com a consciência tranquila”, disse, segundo o G1, o deputado André Corrêa, favorável à anulação.

Contrário à soltura, o deputado Marcelo Freixo (Psol) se manifestou via Twitter: “A prisão preventiva aconteceu. E temos aqui a peça juridica, que é robusta. Não cabe a essa casa substituir o Judiciário. É verdade também que o direito de defesa tem que ser garantido a qualquer um. Ontem o Tribunal votou por 5 votos a 0 a prisão da cúpula do PMDB. Por lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. A denúncia é muito grave”, publicou.

“Não estamos falando de algo irrelevante para o Rio de Janeiro. Não é algo irrelevante para os aposentados que estão sem receber, para a crise da Segurança Pública, para a crise da educação e da saúde. Pode o Legislativo anular uma decisão sem assumir que esse é um debate político? Fraude, propina, superfaturamento de contratos, é disso que trata a denúncia”, prosseguiu em sequência de posts.

Picciani, Albertassi e Melo receberam ordem de prisão na quinta-feira (16) por suposto envolvimento em esquema de corrupção envolvendo o setor de transportes públicos no Rio de Janeiro.

Por Cauby Fernandes

 

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Polícia encontra drogas em pacotes de cuscuz na cadeia de Santa Maria da Boa Vista

Durante uma revista feita em alimentos entregues na Cadeia Pública da cidade de Santa Maria da Boa Vista, no Sertão de Pernambuco, nesta quarta-feira (15), a Polícia Militar encontrou maconha e uma pequena quantidade de cocaína escondidas dentro de quatro pacotes de massa de cuscuz. O material foi levado para a Delegacia de Plantão da cidade.

Segundo o comandante da 7ª CIPM, Marcos Costa, a droga foi levada ao local por uma mulher e seria entregue a um dos presos da cadeia. “A mulher apenas levou a feira para o preso e foi embora. Estamos a procura de identificá-la e prendê-la”, afirma.

O homem que receberia a maconha e cocaína está preso por tráfico de drogas. Após o caso, o delegado pediu agravamento da pena.

Em outubro deste ano, a polícia encontrou maconha escondida dentro de um fundo falso de uma marmita. Além da droga, durante revistas nas celas, foram encontradas facas artesanais e um celular que, segundo a polícia, seria utilizado para intimidar moradores da cidade de Cabrobó.

Por Cauby Fernandes

Com informações do G1PE

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TCE rejeita contas de 2014 de Santa Cruz da Baixa Verde e aprova as de São José do Egito

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Durante sessão realizada na manhã desta quinta-feira (16), a Segunda Câmara emitiu parecer prévio recomendando ao Poder Legislativo do município de Santa Cruz da Baixa Verde, a rejeição das contas de governo do prefeito Tássio José Bezerra dos Santos, relativas ao exercício financeiro de 2014. O relator do processo foi o conselheiro Marcos Loreto.

De acordo com o voto do relator, o repasse de recursos financeiros em volume abaixo do que o devido ao Regime Próprio e ao Regime Geral de Previdência Social, deram origem a um débito superior a R$ 1,14 milhão, uma vez que não foram repassadas às unidades gestoras, montante equivalente a 27% e a 88% dos valores devidos.

A despesa total com pessoal do Poder Executivo, no último quadrimestre de 2014, alcançou o montante de R$ 11.482.310,57, o que representa 54,12% da receita corrente líquida do Município. No 1º e 2º quadrimestres os percentuais dessa despesa chegaram a 64,99% e 61,77% respectivamente. De acordo com relatório de auditoria, a relação da despesa com pessoal em relação à receita corrente líquida do município esteve acima do limite legalmente permitido desde o 3º quadrimestre de 2013.

Quanto à Previdência, o conselheiro Marcos Loreto considerou que o pagamento das contribuições previdenciárias intempestivamente, ou seu não pagamento, geram um ônus para o Erário em razão dos acréscimos pecuniários decorrentes. “Essas irregularidades comprometem as gestões futuras, que acabam tendo que arcar não apenas com as contribuições ordinárias, mas também com a amortização de longo prazo, de dívidas deixadas por administrações passadas”, comentou o relator. Ainda cabe recurso da decisão.

São José do Egito: Também em sessão realizada nesta quinta-feira (16), a Segunda Câmara do TCE julgou regulares com ressalvas as contas do ex-prefeito do município de São José do Egito, Romério Guimarães, relativas ao exercício financeiro de 2014, segundo de sua gestão.

O relator foi o Conselheiro Substituto Marcos Flavio Tenório de Almeida. Ele opinou pela aprovação com ressalvas e foi seguido pelos colegas da Segunda Câmara.

Agora, o parecer prévio com a recomendação será apreciado pela Câmara de Vereadores do município. O parecer ainda apresentou uma série de recomendações ligadas às ressalvas apresentadas, que só serão detalhadas quando da publicação do parecer.

Por Cauby Fernandes

 

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Força-tarefa sai às ruas de Petrolina para conscientizar sobre trabalho infantil

Uma  força-tarefa saiu às ruas de Petrolina nesta quinta-feira (16) com um objetivo em comum: alertar a população sobre a exploração do trabalho infantil na cidade.

A campanha promovida pela prefeitura tem como tema ‘Maior Cuidado Com Nossas Crianças’ e reúne mais de 100 pessoas que estarão atuando nos semáforos da cidade até o próximo dia 24 de novembro  para conscientizar a população sobre o trabalho infantil.

Além dos semáforos, as equipes da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos também atuarão em pontos estratégicos como a rodoviária, Praça do Bambuzinho e Bodódromo, onde serão montados estandes com assistente social, psicólogo, agentes da Vara da Infância e membros do Conselho Tutelar.

O pontapé inicial da ação foi realizado em frente à prefeitura de Petrolina onde as equipes fizeram distribuição de panfletos, adesivação de carros e abordagens. O primeiro dia da campanha contou com a participação do prefeito, Miguel Coelho, do juiz da Vara da Infância e Juventude, Marcos Bacelar, do promotor Érico de Oliveira e da primeira-dama de Petrolina, Lara Secchi Coelho, que trabalhou ao lado das equipes com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a importância de denunciar esses crimes.

A campanha é resultado de parceria entre a prefeitura, Ministério Público do Trabalho (MPT), Vara da Infância e Juventude, Conselho Tutelar e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDDCA). Uma das finalidades é divulgar os meios através dos quais as pessoas podem fazer denúncias de trabalho infantil. Além do conhecido ‘Dique 100’ as denuncias em Petrolina também podem ser feitas no Conselho Tutelar através do número: (87) 98861-0421.

Por Cauby Fernandes

 

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