Casa Plínio Amorim, a morada da hipocrisia

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A Câmara dos vereadores de Petrolina que já era um ringue para brigas bobas, agora se tornou morada da hipocrisia.  Salvo alguns vereadores, e poucos são eles, na sua  grande maioria, os Edis, tem um discurso alicerçado em um dos maiores defeitos de qualquer ser humano. A hipocrisia.

Depois da Moção de Repúdio de Ruy Wanderley e Elias Jardim, contra a peça teatral “Jesus rainha dos cèus”, os guerreiros da “virtude” da Casa, se pronunciaram de forma contundente. No entanto, a cada discurso proferido, o ódio, a falta de carinho com as pessoas, e principalmente a hipocrisia, eram destilados de forma venenosa.

Para os vereadores,  o blog A língua deixa uma peça de Victor Hugo, in “Os Trabalhadores do Mar”, que retrata muito bem como certos Edis tem se comportado na Casa Plínio Amorim.

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Ter mentido é ter sofrido. O hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga.

Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso.

O odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho.

Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. 0 verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. O hipócrita é um titã-anão.

Victor Hugo, in “Os Trabalhadores do Mar”

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